quarta-feira, 23 de maio de 2007

DAS ANTAS!!! SOBRE O ATO DE BRECHAR E OUTRAS COSITAS...


Olhe. Preste atenção. Eu brechei muito nesta vida! Eu sou réu confesso. Brechei até a D. Mariinha, esposa de Seu Oscar, senhora que morava vizinho a casa de minha família lá no Bairro do Parque Araxá em Fortaleza, Ceará (Rimou!). Quando comecei a aprender subir em cima da minha casa, mais precisamente na Rua Professor Nogueira, 466... Bem como estava prestes a completar 11 (onze) anos de idade, foi quando comecei a querer saber mais sobre as mulheres. Ver além do trivial, comumente coberto por vestidos, anáguas, meias, cangas e outros tecidos. Queria saber sobre os peitos, a Bunda (principalmente dela). Loucura de menino inquieto. Falante e muitas vezes calado, cheio de interrogações e hormônios começando a aflorarem.

Cansei de subir no muro de minha casa, me atracar nos pergolados do Jardim interno ou nas grades de ferro das janelas grandes para me apoiar com intuito de subir no telhado, sem nunca meu pai ter ciência de tal procedimento. Cansei de prolongar meu trajeto pelos telhados das casas vizinhas para observar as filhas de D. Marivone. Aquilo era excitante, sob o ponto de vista da traquinagem e das descobertas do mundo masculino que se abria.

Cansei de ver várias calcinhas penduradas nos arames dos quintais, até conclamar outros colegas de quarteirão para descobrirem a mesma coisa. Puxa! A partir daí a técnica da “BRECHA” começou a se desenvolver cada vez mais e os cenários começaram a se ampliar. O campo de atuação foi aumentando cada vez mais, na medida em que outros “comparsas” chegavam em solidariedade.

Logo, logo, descobri as revistas “proibidas” nos “esconderijos” de meu irmão – mais velho que eu seis anos – lá em casa: Fundo de gavetas das camisas dos times de futebol, atrás da cabeceira da cama de nosso quarto, no fundo do cesto de roupas sujas... Enfim, meu olho estava ali, sempre atento.

Daí foi um pulo para que começasse a dividir a compra de revistas “playboy” e “ELE ELA” com meus amigos... Era armado todo um esquema para comprarmos a mencionada revista na banca de jornal em frente ao supermercado “VAREJÃO”, que depois virou “BOMPREÇO”. O único problema era o sorteio para ver quem iria ser o “escolhido” para efetuar a compra e depois para ver quem ficaria com a revista em “avan premiere”! Este sim, era o menino sortudo! Imagine ver os seios e bunda por primeiro das lindas: Cristiane Torloni, Lídia Brondi, Bruna Lombardi, Monique Evans, Nicole Puzzi, Alice de Carli, Magda Cotrofe.... Suucesso!! E ansiedade.

Mas brechar mesmo, teve uma época que a coisa virou quase obsessão. Portas de banheiro, janelas com fissuras, combogós de casas alheias, casas de telhado sem forro perto de onde eu morava, quintais... E vez por outra flagrava-se algo inesperado. Mas se era menino demais, idade da inocência. Os olhos ainda não estavam ativados com a LIBIDO por completo, nem se arregalavam por demais. Lá, no Parque Araxá existiam – acho que ainda existem! – Pequenas Vilas residenciais sem luxo algum com muros baixos e acessíveis aos olhares “invasivos” da molecada esperta. Vi muita coisa! “MENINOS EU VI”! E no turno da noite, lá pelas 19H00min, nos reuníamos no muro da casa do amigo RAMIRTON ou em frente a casa do LUCIANO (grande amigo falecido em acidente de carro) para comentarmos as descobertas do mundo. Entre elas a visão do feminino.

Lembro já na adolescência, “Brechando” minha namoradinha tomando banho pelo buraco da fechadura do banheiro de sua casa e depois pela pequena fresta da janela de seu quarto que dava para um corredor-garagem.. Aquilo foi uma das melhores visões de minha Vida! Um marco para ser mais preciso. Ali eu percebi o olhar, SE ARREGALAR, de fato com milhões de desejos, sentimentos e possibilidades envolvidos.


Ainda na adolescência, agora comprando as tais revistas sem receio, descobri muitas outras coisas pela leitura das mesmas.... Até constatar que o ato de “BRECHAR” é mais antigo que a própria Humanidade! E este ato tinha um nome estranho: “VOYEURISMO”.

Existia um código entre alguns amigos. Aqueles da curriola de confiança. Não podíamos Brechar as irmãs deles e eles não podiam, as nossas. Era o jeito encontrado pra ninguém ficar com remorso. As tias até que podia, mas mãe não se brechava em hipótese alguma. Isto foi seguido à risca. Respeito era respeito. Se a Igreja dizia que era pecado mortal ter maus pensamento com qualquer mulher, o que dizer de desejar ver a mãe pelada. A regra das irmãs foi quebrada por mim, no dia em que me vi com um olhar chapado pela ISABEL, irmã de um grande amigo do quarteirão: O MARCELO. Desde o dia em que a vi de shortinho passando “impunemente” por dentro da sua casa enquanto jogávamos “pingue pongue”... Tudo mudou. Que me perdoe Marcelo. Quando brincávamos de “esconde esconde”, sempre procurava me esconder perto dela.

Nesse intercâmbio, acabei por conhecer várias arquiteturas do Bairro e tipos de telhado. Várias telhas foram quebradas nas rotas escolhidas. Já adulto, ouvi falar através de meu pai que a Praça do Ferreira era reduto de brecheiros nas décadas de 50 e 60. Um vento, desde a década de 40, na verdade, desconsertava as donzelas de saias ou vestidos. O mesmo vento continua por lá. Na esquina do antigo Hotel Savanah, perto da Rua Floriano Peixoto e bem perto do maravilhoso Cine SÃO LUÍS.

Pois é. Desde que descobri que eu era um VOYEUR, tudo ficou diferente e várias fichas caíram. Todos são. Com o tempo a gente vai apurando o olhar, aprimorando técnicas dentro de Bancos, Shopping Centres, Ônibus, Restaurantes, etc. E com o tempo fui descobrindo que varias moças gostam de se exibir.

Um comentário:

kennedy disse...

Ótima narrativa.
Só achei ruim quando acabou. Podia escrever mais. Continue.

Bom, nem seu pai, nem seu irmão sabiam de nada.
Gostei de saber.
Com essa leitura, descobri que fui um menino muito "quieto".
Sobre gostar de "ver", todos nós gostamos. Uns sabem mais que outros. Ver bem, é como uma câmara de filmar. Jamais se esquece, fica gravado.
E sobre as mulheres, elas gostam de "mostrar a figura". Faz parte do universo feminio o mostrar bonito.