segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Uma tímida reflexão e desejo de Felicidade para 2.009!




* Obs: Trata-se de um artigo até longo pelos padrões “internéticos”. Portanto, leiam com calma quando puderem e se quiserem, mas é de mente e coração. Não se trata de “corrente”, nem de piada ou de aviso de um novo “vírus” na “Web”.


“Lá vai ele!!! Correndo, correndo, sem parar...
De pés descalços, camisa de futebol já velhinha e bem puída,
Calção da marca “Elite” com as tarjas laterais já desgastadas...
E seu cabelo liso em corte de “cuia” no melhor estilo “Channel” que as mães costumavam fazer com os filhos na década de 70 (setenta).

Aquele menino subia nos muros das casas, nas árvores (pés de castanholas, azeitonas pretas, mangueiras, pés de jambo, Graviola, goiabeiras), jogava futebol em terreno baldio com a petizada do bairro, tomava banho de chuva embaixo das bicas das casas grandes de esquina, andava de bicicleta (Caloi dobrável vermelha) no meio das ruas ainda sem o asfalto, implicava com os cachorros atrás dos portões de ferro e demorava muito para fazer as tarefas do colégio... E só assim fazendo após “ameaças severas” da mãe que dizia: “Se não fizer o dever de casa, não vai assistir ao Sítio do Pica-Pau Amarelo ao final da tarde!!” Aquilo, de fato, era ameaçador!!! Era um prenúncio de tragédia!!! O sentimento e as viagens (conscientes e inconscientes) que este menino fazia ao assistir o “Sítio” sentado ao sofá diante da tv, tomando bananada com Nescau e comendo “cream cracker” era algo muito mais que transcendental!! Um compromisso inadiável com a leveza d’alma!! Um estágio para a Felicidade!”

Este menino hoje conta com seus trinta e poucos anos de idade e volta e meia busca puxar pela memória este sentimento e sensação gostosa que transcende o sensorial e a leveza... A busca pela felicidade!

Nestes tempos (final de ano) de rememorar os bons sentimentos, os bons presságios, a alegria de viver, de reflexão do que fizemos e ainda temos por fazer..... Somos “bombardeados” pelas mensagens publicitárias que “casam” o consumo extremo com a Felicidade.
“O que faz você feliz?”

Refletindo isso, pensei em escrever uma mensagem aos meus (minhas) querido(a)s amigo(a)s sobre o fim de mais um ciclo e o desejo de renascer, reencarnar, crescer intelectual, moral e espiritualmente.

Escrever algo que despertasse uma fagulha que fosse de felicidade. Aí pensei: O que vem a ser a Felicidade? Coincidentemente, me deparei com leitura do Livro “A felicidade desesperadamente” do Filósofo moderno francês Comte Sponville.

E justamente, neste sentido e após leitura acurada, desejei e desejo falar do sentimento mais amplo que o sentimento da banalidade e da evidência dos “slogans” publicitários.

Pascal afirmou: “Todos os homens procuram ser felizes; isso não tem exceção... E esse o motivo de todas as ações de todos os homens, inclusive dos que vão se enforcar...”. Não desejo aqui fazer um verdadeiro tratado sobre a felicidade e nem utilizar de axiomas vulgares e frágeis. Historicamente, desde a Grécia antiga, todos sabem que a felicidade faz parte dos objetos privilegiados da reflexão filosófica, que é até um dos mais importantes e dos mais constantes. Sócrates ou Platão, Aristóteles ou Epicuro, Spinoza ou Kant, Diderot, etc. O que pretendo é reatar com a velha questão grega e filosófica, a questão da felicidade, da vida boa, da sabedoria.

Penso, influenciado por Comte Sponville, que a resposta que Epicuro estava correto ao dizer: “A filosofia é uma atividade que, por discursos e raciocínios, nos proporciona uma vida feliz”. “Atividade”, “discursos e raciocínios” e “Vida Feliz”! Portanto, ser feliz é pensar, racionalizar, é buscar ser ativo naquilo que faz e arcar com as conseqüências disso.

A felicidade que queremos e almejamos é a felicidade que os gregos chamavam de sabedoria, aquela que é a meta da filosofia, “é uma felicidade que não se obtém por meio de drogas, mentiras, ilusões, diversão efêmeras”... É a felicidade que se obteria em certa relação com a verdade: Uma verdadeira felicidade ou uma felicidade verdadeira. Ser feliz é uma meta, mas, não é uma norma imperativa!

Viver a verdade é o que vale! “Mais vale uma verdadeira tristeza do que uma falsa alegria!” E nisso, nem todos estarão de acordo. Sem dúvida alguma, inúmeras pessoas, ao lerem este pobre artigo, estarão se dizendo que, pensando bem, entre uma verdadeira tristeza e uma falsa alegria, vocês prefeririam a falsa alegria... “Vários, mas não todos”.

“O essencial é não mentir, e antes de qualquer coisa não se mentir. Não se mentir sobre a vida, sobre nós mesmos, sobre a felicidade”.

Vivamos!!

Desejo aos meus(minhas) amigo(a)s todo o sentimento de Felicidade verdadeira! Sentimento de busca com fé na vida, fé no que virá e refletindo em valores certos e calcados em senso crítico!
Que Cristo, Buda, Krishna e os espíritos de luz nos ilumine sempre para o caminho Bem! Que vivamos longe do individualismo globalizado e saibamos confraternizar!!

Um beijo grande em todos!! Feliz ano de 2.009!

Um comentário:

maicher disse...
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